Uma primeira breve análise da temporada das Bodas de Diamante


Após a nossa última actuação programada para o mês de Agosto, que foi a corrida realizada no passado sábado, dia 25 de Agosto de 2007 nas Caldas da Rainha, entendi efectuar um pequeno balanço do que tem sido a temporada das Bodas de Diamante.

Com um total de 23 corridas já realizadas (1 em Março, 2 em Abril, 3 em Maio, 2 em Junho, 5 em Julho e 10 em Agosto), e ainda com mais 9 corridas já agendadas (sendo 6 em Setembro e 3 em Outubro), se não existir qualquer cancelamento esta será a época do nosso historial com maior n.º de actuações.

Temos percorrido praticamente todo o Pais, faltando por ausência de convites o Algarve e a região dos Açores. Não foram feitas nem estão previstas actuações noutros países, apenas foi realizada uma demonstração na Feira – Planeta toro – no mês de Março em Espartinas (Sevilha – Espanha), onde também tivemos um stand promocional do nosso Grupo de Forcados.

Mesmo com este número elevado de actuações, é perceptível a insatisfação de vários elementos que têm sido menos utilizados, o que não deixa de ser positivo para o Grupo, embora seja uma situação complicada de gerir para o Cabo.

O critério de escolha está há muito definido, e são aqueles que avaliados dentro de um período de tempo razoável, demonstram respeitar certos padrões comportamentais e apresentam melhores capacidades para exercer a nobre arte de pegar toiros. Também é fulcral confirmar essas aptidões dentro da arena, porque parâmetros como a postura e a eficácia terão uma elevada importância na sua manutenção no lote dos eleitos para envergar mais vezes a nossa jaqueta das ramagens. A antiguidade dos elementos é um factor importante, sendo um aspecto que me “obriga” a conferir alguns direitos, mas também a “exigir” certos deveres.

Caso não surjam outros convites para a nossa presença em mais corridas, esta não será a época em que pegamos o maior n.º de toiros, porque na temporada de 2001 (Centenário da Praça de Toiros “Palha Blanco”) o Grupo participou em 30 espectáculos pegando 117 toiros. Confirmando-se todas as pegas às corridas previstas e contabilizando os 72 toiros que já pegamos este ano, teremos no final da época um total de 107 toiros.

Este número de pegas ficou “condicionado” pelo facto de apenas termos efectuado 2 corridas de 6 toiros, embora tenhamos mais 3 corridas previstas com este número de toiros, e o elevado número de actuações (6 já realizadas e uma prevista) onde apenas pegamos 2 toiros.

Perante os toiros estiveram 14 diferentes forcados da cara e 1 cernelheiro (não estão incluídos os 4 antigos forcados que pegaram no Festival Misto comemorativo das Bodas de Diamante realizado no inicio da Temporada), devidamente ajudados por um conjunto de mais 15 elementos, o que perfaz um total de 30 elementos que em 2007 já se fardaram pelo nosso Grupo.

Os objectivos até ao final da temporada estão traçados e passam por conseguir atingir o bonito número de 35 actuações, mantendo o elevado nível exibido e voltar em grande ao Campo Pequeno. Estamos tranquilos e aguardamos serenamente por esse regresso, desejamos que seja perante um desafio à dimensão da nossa história, das nossas raízes, e que possa ser a principal referência da temporada das Bodas de Diamante.

Estamos certos que o actual momento que o Grupo atravessa dá toda a confiança e é uma boa garantia de êxito, embora conscientes de que existem dias em que as coisas podem não resultar.

Não podemos esquecer o dia 16 de Agosto deste ano em Arruda dos Vinhos, onde condicionados por vários factores adversos, não conseguimos superar com a classe habitual as dificuldades que foram surgindo e tivemos uma má noite. Pegamos o 1º toiro à quarta tentativa, o 2º toiro inutilizou-se após a 1ª tentativa de cernelha e teve de ser recolhido, o 3º toiro (4º da corrida) foi muito bem pegado à 1ª tentativa e foi na minha opinião o melhor que se viu nesta noite fria, o nosso 4º toiro (5º da corrida) foi pegado à 3ª tentativa.

Nesta data muito especial, faltou a coesão e qualidade que tem estado sempre presente, pelo que foi a nossa única actuação que se pode considerar negativa, numa escala para Grupos exigentes.

As nossas actuações tem sido boas, algumas de excelente nível, e o grupo nunca acusou as baixas provocadas pelas lesões de alguns elementos. Infelizmente este tem sido um ano complicado em lesões e já fomos “obrigados” a proceder a 4 dobras nos forcados da cara e a uma dobra no 1º ajuda. Mesmo com estas contrariedades o Grupo pegou 53 toiros à 1ª tentativa, 10 toiros à 2ª tentativa, 6 toiros à 3ª tentativa, 2 toiros à 4ª tentativa e 1 toiro à 5ª tentativa.

Mesmo nas 2 corridas que tivemos mais dificuldades em concretizar uma pega, a actuação global do Grupo foi positiva. Refiro-me à corrida realizada a 6 de Maio em Vila Franca de Xira, onde um toiro da Ganadaria de Herd. José Infante da Câmara foi pegado à 5ª tentativa obrigando a uma dobra do forcado da cara após 2 tentativas; e à corrida realizada a 14 de Agosto em Abiúl, onde um toiro da ganadaria de Falé Filipe com 640 Kg foi pegado à 4ª tentativa, obrigando também à substituição do forcado da cara logo após a sua 1ª tentativa. Nestes dois casos foram evidentes as complicações impostas pelos toiros, principalmente na forma como se defendiam no momento das reuniões com os forcados, empregando-se com força e retirando a cara. Estas pegas foram executadas sempre com grande vontade de todo o Grupo, embora na dita escala de alta exigência, as coisas poderiam ter sido resolvidas com menos tentativas e sem dobras.

Nas outras duas dobras que fomos obrigados a efectuar, foram causadas por manifesto azar dos forcados, que estiveram bem com os toiros e acabaram por não conseguir concretizar as pegas porque ficaram logo lesionados na 1ª tentativa, devido a fortes derrotes que sofreram após a reunião. Estas dobras foram executadas com tranquilidade e os toiros muito bem pegados. Uma destas pegas também ocorreu na corrida com os toiros Infantes da Câmara em Vila Franca de Xira, e a outra na corrida realizada a 30 de Junho em Torres Vedras a um toiro da Ganadaria de António José Teixeira de córnea fechada, que certamente seria pegado de cernelha, se não estivéssemos numa praça desmontável.

Descrevi com mais pormenor os momentos mais complicados (o único toiro que pegamos à 5ª tentativa, os dois que pegamos à 4ª tentativa e dois dos que pegamos à 3ª tentativa), porque felizmente foram poucos e é nestas situações que devemos analisar os motivos e procurar soluções teóricas que no futuro possam ajudar a resolver melhor este tipo de problemas. Tendo sempre presente que dentro da arena, quando as coisas se complicam, as nossas possibilidades de êxito são proporcionais a nossa vontade em efectuar a pega.

Os grandes momentos da época têm sido muitos, pelo que optei por não referir nenhum em especial, realço apenas o clima de confiança que se respira no seio do Grupo e que se sente nas bancadas.

Os agradecimentos ficam para o final da temporada, mas tem sido agradável verificar uma maior assiduidade de antigos elementos nas nossas corridas e nos nossos jantares.

Aos que se encontram ainda a recuperar de lesões, como são os casos do Carlos Carvalho, do João Pedro Silva, do Paulo Conceição, do Pedro Henriques e do Diogo Pereira, um forte abraço e rápida recuperação.

Estamos a praticamente um mês do início da nossa Feira de Outubro, desejamos receber da melhor forma todos os que nos honrarem com a sua visita, pelo que teremos um intenso trabalho de bastidores para que tudo esteja preparado na nossa Tertúlia.Vasco Dotti

Partilhar:

Facebook
Twitter
LinkedIn