João Diogo Vilaverde

 

O Testemunho de José Carlos de Matos

(Cabo entre 1973 e 1982)

O João Vilaverde começou muito jovem nos Juvenis de Vila Franca, onde dada a sua valentia e gosto por pegar toiros depressa se revelou um excelente Forcado.

Estreando-se nos Amadores de Vila Franca na época de 1979, pegando de caras, recordo-me que o João faltava as aulas de Escola Agrícola da Paiã, para ir até à Torrinha participar em tentas e feras, dado o gosto que tinha pela Festa Brava.

Quando já pegava nos Amadores teve muitas colhidas e uma delas muito grave, na Praça de Toiros de Espinho, teve de regressar de ambulância para o Hospital de Vila Franca onde esteve internado com várias escoriações, entre essas a língua cortada, mas mesmo assim fugiu do Hospital para ir a uma picaria a Benavente, no ano de 1983.

Muitas história tinha para contar, nesse mesmo ano a família escreveu-me uma carta a pedir para não o fardar mais no Grupo, tinha de arranjar maneiro de o afastar sem que percebesse e então comecei a meter-lhe na cabeça para ir para bandarilheiro, porque ele tinha um jeito muito grande para tourear de capote e assim ganhava algum dinheiro, ele depressa pensou e depressa se fez um grande toureiro.

A Torrinha era a sua 2ª casa e assim depressa começou a integrar a quadrilha do João e do António Ribeiro Teles e mais tarde foi bandarilheiro de outras figuras do toureio, também no toureio apeado foi grande o seu contributo inclusive na Escola José Falcão.

O João era um Exemplo de Homem, trabalhador, dedicado, tudo o que fazia era com muita aficion, amigo do seu amigo com graça e Bondade foi ao longo destes anos criando muitos que hoje o recordam com saudade.

Quis o destino que o valente João depois de tantas colhidas de toiros chegasse à sua última colhida por um comboio que o vitimou para sempre.

Paz à sua alma, a Festa ficou mais Pobre e eu também, porque perdi um Grande Amigo.

O Testemunho de João Dotti

(Cabo entre 1983 e 19991)

Quando conheci o João Diogo Vilaverde em 1977, jamais imaginaria a importância que ele viria a atingir no panorama tauromáquico português.

A sua vontade de ser Ribatejano era tal que recordo que para o chatearmos dizíamos que ele era de Oeiras e ele chorava de raiva.

Fardámo-nos os dois pela primeira vez nos Amadores de Vila Franca numa tarde de Agosto de 1979 em Abiúl.

Tive o privilégio de ser seu “cabo” a partir de 1983, tendo ele pegado um toiro na minha estreia a dirigir o grupo. Sempre evidenciou uma enorme raça, dignidade e valentia, destacando as tentativas que fez para pegar aquele “boi” em Espinho que o deixou muito mal tratado.

Quando enveredou pela carreira profissional, para além de uma aficion imensa, o Vilaverde sempre demonstrou um profissionalismo exemplar e um grande respeito  por aquele que ele sabia ser o elemento fundamental da FESTA – O TOIRO.

O exemplo de que o João Diogo era efectivamente uma pessoa diferente, é que ao longo destes anos todos nunca conheci ninguém que não gostasse dele.

Com o seu inesperado e abrupto desaparecimento fica o exemplo que vale a pena apostar nos nossos sonhos, e que para os concretizarmos temos que ser sérios, profissionais, trabalhadores mas principalmente ACREDITAR.

Se o Mundo só tivesse pessoas deste calibre quão diferente seria …

O Testemunho de Jorge Faria

(Cabo entre 1993 e 1998)

Ao longo dos anos, quer como amigo, aficionado, toureiro, forcado, ganadero, cavaleiro ou até como coreógrafo, o João Diogo Villaverde ensinou-nos muitas coisas.

O João representava, ao fim e ao cabo, a própria festa, tal era a intensidade com que a vivia!

Deste modo, como forcado foi um exemplo não só pelas suas excelentes pegas, como também pelo pundonor, coragem e entrega.

Os seus exemplos de raça e valentia foram sempre pautados pelo lema: “Mais vale quebrar que torcer”. Uma vez em Santarém quando à quarta tentativa cita o toiro com o braço ao peito ou numa outra em Espinho quando vai sete vezes à cara de um toiro e ainda mais 2 de cernelha, sem os ter pegado, foram bem exemplo disso.

Quer a pegar, como opção do cabo, ou a resolver alguma dobra era de uma raça impar.

Este era o João Diogo Villaverde forcado!

Um bem haja e até sempre.