Concurso de Ganadarias em Vila Franca


Por vezes é difícil entender o que passa pela cabeça de alguns aficionados de Vila Franca. A tarde estava boa para se ir aos toiros. O cartel era composto por cavaleiros da nova vaga, obviamente com ganas de triunfar, 2 grupos de forcados que sabem estar dentro de uma praça, sendo 1 deles o próprio grupo da terra (a maioria das vezes, um dos factores suficiente para chamar gente) e o principal, estavam anunciados toiros com peso, idade e apresentação. O tempo estava bom, sem calor nem frio, logo, convidativo, portanto, nem esse seria factor impeditivo a que se procurasse passar uma agradável tarde a ver uma possível boa corrida. Mas o público de Vila Franca não compareceu. Sinceramente, esta empresa merecia mais respeito dos “ausentes”. Foi um bom espectáculo com todos os ingredientes e que acabou por ser visto por poucos mas bons aficionados.

1ª Pega da tarde – Pedro Castelo

Se quisermos descrever a pega quase perfeita, então esta teve o essencial. O toiro (ganadaria David Ribeiro Telles) não era propriamente fácil, pese embora também não denotar sinais de complicar em demasia, mas era um toiro sério e com alguma tendência a derrotar forte na reunião e com capacidade para tentar abrir caminho por dentro do grupo até ás tábuas. O Pedro após um emotivo brinde a forcados lesionados, temporariamente na bancada, foi para o toiro com muita serenidade e concentração. A partir daquele momento, mandou ele e pese embora o toiro ter saído ligeiramente antes do que devia, não foi motivo para desconcentrar o cara, muito pelo contrário. Interpretou com rapidez o que havia a fazer e se bem o pensou, melhor o fez, sacando-se com uma perfeição invulgar e conseguindo retirar ao toiro a forte tendência de derrotar para o ar que aparentava possuir. Para quem aprecia uma pega “completa” e sabe a importância que tem um grupo a ajudar bem, nesta pega deverá ter ficado satisfeito, direi mais, com um sorriso de orelha a orelha. Foi um cacho de ajudas a pegar o toiro, não o ajuda A ou o ajuda B, foi mesmo um bloco. Belo momento da arte de pegar toiros que assistimos nesta 1ª pega da tarde.

3ª Pega da tarde – Rui Graça

O Graça teve pela frente o toiro da ganadaria Pinto Barreiros que acabaria por vir a triunfar em ambos os prémios, bravura e apresentação. Este toiro tinha todos os ingredientes para proporcionar ao Graça uma excelente pega e tal veio a suceder. Esteve a contento o forcado, citou, carregou, aguentou e recuou dentro dos limites aconselháveis, consumando a pega mais uma vez com a preciosa ajuda do restante grupo, mantendo-se assim a sequência de boas actuações. Acabou por ser uma bela pega que o toiro merecia pela nobreza demonstrada durante toda a lide.

5ª Pega da tarde – Diogo Pereira (Ruço)

Um toiro muito sério da ganadaria Herdade de Pégoras. Sem maldade, mas a impor o respeito que um verdadeiro e bem apresentado toiro de lide deve transmitir. Foi neste clima de respeito e vontade de triunfar que o Ruço se fez á pega. Foi obrigado a subir bastante já que o toiro não arrancava com facilidade. Mesmo entrando em terrenos de compromisso, não perdeu a cara ao toiro e sacou-se com rapidez á investida decidida do oponente, mas acabou por tropeçar nesta fase. O piso ajudou a que tal sucedesse, mas é por detalhes desse tipo que os forcados da cara deverão aperfeiçoar ao máximo o recuar em bicos de pés. Na 2ª tentativa, as dificuldades para conseguir a investida do toiro ficaram acrescidas, mas desta vez o Ruço sacou-se com perfeição e tudo decorreu dentro do esperado, culminado esta pega com uma excelente ajuda de todo o grupo, destaque para o Bazuca e Cagaréu, num toiro a pedir contas ao qual foi dada a resposta adequada por parte dos forcados em praça.

O Grupo de Coruche que alternou com o da terra, cumpriu excelentemente a função com destaque para a dureza do último toiro da tarde, Canas Vigouroux, uma verdadeira “fruta” a pedir contas que acabou por lesionar com algum aparato um dos forcados. O grupo, muito coeso, correspondeu ás dificuldades e também eles tiveram uma tarde de êxito nesta corrida.

O repasto final deste domingo, afinal o factor prazer que sempre fica aliado a estas loucuras do pegar toiros, foi diferente desta vez. Diferente porque os grupos se uniram no mesmo, facto pouco habitual, mas que nem por isso deixou de ser bastante agradável e onde acabaram por se “pegar” muitos mais touros do que o normal já que em vez de 1 eram 2 grupos a beber… perdão… a contar histórias de pegas e sovas.

Paulo Paulino (Fotos gentilmente cedidas por Zé da Quinta)

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